Mundo Marciano

Tuesday, June 05, 2007

pisca-pisca

No Museu da Língua Portuguesa de São Paulo, entre vários outros espaços multimedia, há uma sala onde são projetados efeitos audiovisuais no teto e no piso associados com a narração de vários poemas da língua portuguesa por pessoas famosas como Maria Bethânia, Arnaldo Antunes etc...A parte que eu mais gostei da apresentação foi extraída de Memórias de Emília, de Monteiro Lobato, narrada pela atriz que faz a boneca Emília na série de tv O Sítio do Picapau Amarelo. A narrativa dela era complementada com imagens luminosas no teto (que parecia um planetário) com vários pontinhos luminosos. Vou reproduzir o texto a que me refiro abaixo:

"A vida, Senhor Visconde, é um pisca-pisca. A gente nasce, isto é, começa a piscar. Quem pára de piscar, chegou ao fim, morreu. Piscar é abrir e fechar os olhos - viver é isso. É um dorme e acorda, dorme e acorda, até que dorme e não acorda mais. A vida das gentes neste mundo, senhor sabugo, é isso. Um rosário de piscados. Cada pisco é um dia. Pisca e mama; pisca e brinca; pisca e estuda; pisca e ama; pisca e cria filhos; pisca e geme os reumatismos; por fim pisca pela última vez e morre.
- E depois que morre? - perguntou o Visconde.
- Depois que morre, vira hipótese. É ou não é?"

(Memórias de Emília - Monteiro Lobato - 1936)

Ainda bem que alguém partilha da minha teoria sobre a vida...mesmo que seja uma boneca de pano fictícia!

Sunday, March 11, 2007

A cigarra e a formiga!

A CIGARRA E A FORMIGA (La Fontaine)


A cigarra, sem pensar
em guardar,
a cantar passou o verão.
Eis que chega o inverno, e então,
sem provisão na despensa,
como saída, ela pensa
em recorrer a uma amiga:
sua vizinha, a formiga,
pedindo a ela, emprestado,
algum grão, qualquer bocado,
até o bom tempo voltar.
"Antes de agosto chegar,
pode estar certa a senhora:
pago com juros, sem mora."
Obsequiosa, certamente,
a formiga não seria.
"Que fizeste até outro dia?"
perguntou à imprevidente.
"Eu cantava, sim, Senhora,
noite e dia, sem tristeza."
"Tu cantavas? Que beleza!
Muito bem: pois dança agora..."

Fábulas de La Fontaine, 1992

No mundo existem aproximadamente 10.000 espécies de formigas. São insetos muito organizados, que possuem um sistema de comunicação sofisticado, através de feromônios e sinais químicos, ainda não totalmente compreendido pelo homem. Uma colônia de formigas é composta por milhares de indivíduos, todos assexuados e liderados por uma única rainha. O que é interessante é que para elas um indíviduo é apenas uma parte integrante da colônia, como se fossem minúsculas partes de um único organismo.
Na fábula de Fontaine, como em qualquer outra, percebe-se um certo caráter disciplinar, ressaltando a característica desejável das formigas de cooperação e trabalho em conjunto para viver em comunidade. Eu admiro essa inclinação das formigas para a organização e o trabalho...mas também admiro a audácia da cigarra em viver intensamente e plenamente... Acho que na vida tudo é uma questão de equilíbrio...existe momentos para ser formiga e momentos para ser cigarra...

Wednesday, November 08, 2006

Olhar voltado para as estrelas!


Ontem visitei o planetário da UFSC... achei bem interessante! Sendo o único planetário existente em Santa Catarina e o menor do país, ele possui uma sala construída especialmente para simular o céu noturno por meio de um projetor. As visitas são abertas ao público em horários específicos e além dessa sessão simulada pelo projetor (que consiste numa aula expositiva bem interessante sobre astronomia) também é possível ter acesso à observação em telescópio. Foi uma visita bem proveitosa pois pude aprender detalhes sobre planetas, estrelas, constelações, e sobre sua localização durante a passagem do ano.
Na cidade, infelizmente, há poucos lugares onde é possível ter uma visão privilegiada das estrelas devido a interferência das luzes artificiais; mas quem, porventura, tiver a oportunidade de vislumbrar um céu estrelado longe das luzes urbanas ficará espantado com a nitidez que se pode ver o brilho das estrelas. Antigamente eu fazia isso com uma certa frequência, quero repetir em breve. Olhar para as estrelas é uma experiência curiosa, que faz a gente pensar no quanto somos insignificantes diante da imensidão do cosmo. A imagem dos pontos luminosos distribuídos no fundo negro infinito é de uma beleza incontestável e desperta emoções contraditórias que devem acompanhar a humanidade desde os seus primórdios. Sempre que eu focalizo minha atenção para a vastidão do espaço tenho uma sensação de insegurança, de impotência, sinto-me insignificante e solitário; contudo, paradoxalmente, sinto também uma profunda admiração pela perfeição da ordem natural das coisas, mesclada com um sentimento que não sei ao certo definir, mas que lembra a segurança de ter encontrado o meu lugar no mundo e de estar em casa olhando pela janela... uma janela que permite ver o infinito...

Sunday, October 01, 2006

Tempo!

Já faz algum tempo que eu não atualizava o meu blog, por falta de idéias para postar e por falta de tempo. Então, resolvi unir as duas coisas e abordar a idéia do tempo. De fato, não há como escapar, a existência de todos nós é conduzida em função dele. Eu li um artigo na internet sobre administração do tempo (que achei bastante interessante) e vou colocar, resumidamente, os pontos que considerei mais importantes: Todos os dias cada um de nós recebe exatamente 24 horas (a menos que seja o último dia de nossas vidas): nem mais, nem menos. Rico não recebe mais do que pobre, professor universitário não recebe mais do que analfabeto, executivo não recebe mais do que operário. Apesar de democraticamente distribuído, é um recurso altamente perecível. Um dia perdido hoje (perdido no sentido de que não realizei nele o que precisaria ou desejaria realizar) não é recuperado depois: é perdido para sempre. Provavelmente (numa sociedade complexa como a nossa), nunca vamos ter tempo para fazer tudo o que precisamos e desejamos fazer. Contudo, podemos administrar nosso tempo de forma racional e assim potencializar o tempo que temos disponível. Administrar o tempo não é uma questão de ficar contando os minutos dedicados a cada atividade: é uma questão de saber definir prioridades. Dentre as coisas que é possível listar como prioritárias, algumas estarão ali porque nos são importantes, outras porque são urgentes. O problema surge com coisas que consideramos importantes, mas não urgentes, e com coisas que são urgentes, mas às quais não damos muita importância. Outro ponto a considerar é que algumas das tarefas que temos que realizar não são selecionadas por nós, mas nos são impostas. Este é um problema real e de solução difícil: não somos donos de boa parte de nosso tempo. Quando aceitamos um emprego, estamos, na realidade, nos comprometendo a ceder a outrem o nosso tempo (além de nosso trabalho, conhecimento etc). É bom lembrar que ser produtivo não é equivalente a estar ocupado. Ser produtivo é, em primeiro lugar, saber administrar o tempo, ter sentido de direção, saber aonde se vai. Administrar o tempo é ganhar autonomia sobre a sua vida, não é ficar escravo do relógio. Administrar o tempo, em última instância, é planejar estrategicamente a nossa vida. Quando o nosso tempo termina, acaba a nossa vida. Não há maneira de obter mais. Por isso, tempo é vida.

Tuesday, September 12, 2006

X-Men


Originalmente os X-Men são personagens de uma série de histórias em quadrinho norte-americana publicada pela Marvel Comics! Aliás, meus personagens favoritos. A série foi criada por Stan Lee e Jack Kirby em 1963. Os X-Men são mutantes, ou seja, pessoas que nasceram com mutações genéticas que lhes conferem habilidades extraordinárias. Como tal são temidos e odiados pelo restante da humanidade. O nome da equipe de deve ao fato dos mutantes possuírem o gene "fator-X", um gene "eXtra". A equipe mutante é um sucesso de vendas e popularidade entre leitores de vários países. Com o passar dos anos o grupo atingiu outras mídias, como um desenho para TV e cinema. Os X-Men já originaram três adaptações para o cinema, projetando-os para um público mais amplo. Na verdade, além de ser um ótimo divertimento, os mutantes podem ser encarados como uma metáfora sobre direitos civis e sobre a auto-aceitação do indivíduo. As suas aventuras mesclam elementos típicos de super-heróis com temas universais como racismo e preconceito contra alguns segmentos da sociedade. Esse talvez seja o motivo da receptividade do público, pois, diferente dos heróis tradicionais que são idolatrados pela população, eles precisam lidar com o preconceito. Há algumas cenas ótimas nos filmes. No segundo filme, X-Men 2 (2003), quando perguntam para mutante Mística (Mystique) , uma metamorfa que pode se transformar em qualquer pessoa, por que ela não permanece sempre com um aspecto humano (que seria aceito pela sociedade) , ao invés de seu estado natural (azul) , ela responde: "Porque eu não deveria precisar fazer isso!", ou seja, deveria ser aceita simplesmente pelo que é. No mesmo filme há uma cena divertida em que o mutante Bobby Drake (Iceman) precisa se "assumir" mutante para os pais, numa clara analogia ao homossexualismo (tanto que a mãe diz: "você já tentou NÃO ser mutante?"rsrs). No terceiro filme, X-Men 3_The Last Stand (2006), Tempestade, uma X-Woman, diz ao saber que existe uma cura para sua mutação, algo parecido com: "Eu não preciso ser curada porque não há nada de errado comigo!"Enfim...apesar de ter sido criados em 1963, os X-Men são atemporais e abordam temas mais atuais do que nunca.

Saturday, September 09, 2006

Tradução: música "Perhaps Love" de John Denver & Placido Domingo


Talvez o amor seja um lugar de descanso, um abrigo contra a tempestade.
Ele existe para te dar conforto, ele está lá para te manter aquecido.
E naqueles momentos problemáticos, quando você está muito sozinho.
A memória do amor vai te trazer para casa.

Talvez o amor seja uma janela, talvez uma porta aberta.
Ele te convida para chegar mais perto, ele quer te mostrar mais.
E mesmo que você se perca e não saiba o que fazer.
A memória do amor vai ver você por dentro.

Amor para alguns é como uma nuvem, para outros forte como aço.
Para alguns um modo de vida, para outros um sentimento.
E alguns dizem que o amor é prender e outros dizem que é soltar.
E alguns dizem que o amor é tudo e outros dizem que não sabem.

Talvez o amor seja um oceano, cheio de conflitos, cheio de dor.
Como um fogo quando está frio lá fora, trovão quando chove.
Se eu tivesse que viver para sempre e todos os meus sonhos se tornassem realidade.
Minhas memórias de amor seriam suas.

E alguns dizem que o amor é prender e outros dizem que é soltar.
E alguns dizem que o amor é tudo e outros dizem que não sabem.

Talvez o amor seja um oceano, cheio de conflitos, cheio de dor.
Como um fogo quando está frio lá fora, trovão quando chove.
Se eu tivesse que viver para sempre e todos os meus sonhos se tornassem realidade.

Minhas memórias de amor seriam suas.

Thursday, September 07, 2006

Religiões!

Hoje estou empolgado, então vou aproveitar para tratar de um assunto que normalmente costumo evitar: religião! Não é um assunto fácil de ser abordado pois mexe com todas as estruturas do pensamento humano. Primeiramente tenho que explicar que não sou adepto de nenhuma religião, apesar da minha família ser católica, como a maioria da população brasileira. Mesmo entrando em contato com os canônes da igreja católica desde criança, nunca me senti totalmente convencido sobre seus ensinamentos. O fato do assunto ser tratado com tanto rigor nunca me permitiu nem ousar refletir muito sobre ele, pois nesse aspecto sempre parece que toda dúvida que se tem é um desrespeito. Quando adquiri mais idade e comecei a ter mais contato com a História da humanidade, fiquei sabendo dos absurdos cometidos pela Inquisição, a forma como a igreja sempre manipulou o mundo de forma política, a disparidade de conceitos entre as religiões, entre outras coisas...minhas dúvidas aumentaram ainda mais. Claro que muitos argumentam que religião e igreja não são a mesma coisa. E nesse sentido eu concordo, a religião é no que se acredita e a igreja é a instituição, tudo bem. Porém, discordo quando dizem que todos são obrigados a ter uma religião, ter "fé" em alguma coisa, sem jamais questionar. Os discurso dos sacerdotes sempre é baseado em conceitos subjetivos e basicamente tudo acaba se resumindo em uma única coisa: fé. Acho que as pessoas são livres para acreditar no que elas quiserem mas para mim, particularmente, acreditar cegamente em alguma coisa não parece uma atitude muito racional. Respeito o direito das pessoas terem suas religiões mas sinceramente não acredito em nenhuma delas. Claro que tenho muitas dúvidas sobre o sentido da vida e sobre a criação do universo. Porém, prefiro admitir que certas coisas estão além da minha compreensão do que fingir que acredito em explicações que não em convencem. Hoje, posso dizer que me considero ateu. Como disse no início sempre evito falar sobre isso pois esse assunto ainda é um tabu na nossa sociedade. Bom...é assim que eu penso...não quero convencer ninguém a compartilhar minha forma de raciocinar, apenas espero que respeitem meu ponto de vista, assim como eu respeito a opinião de cada um. De qualquer forma, fico feliz por viver num país onde existe liberdade suficiente para que eu não precise fingir reverência a uma religião da qual não sou devoto, pois seria hipocrisia da minha parte.

Guerra dos sexos!

As características comportamentais inerentes a cada sexo freqüentemente acabam gerando conflitos entre homens e mulheres! É um fato cotidiano, muitas vezes motivo de piadas. Desde crianças surge uma espécie de incompreensão, eu diria que até um certo desprezo, a tudo que é relacionado com o sexo oposto. As meninas acham que os meninos são grosseiros, mal educados e só pensam em jogar futebol. Em contrapartida, os meninos consideram as meninas umas bobocas delicadas que só sabem tagarelar e brincar de boneca. Até aí tudo bem, o problema é que quando ficam adultos a situação permanece quase a mesma, só muda, obviamente, o contexto. A atração sexual dá uma amenizada no problema, já que dizem que os opostos se atraem. Inclusive, se a gente observar mais atentamente percebe como essas diferenças entre homens e mulheres são simultaneamente irritantes e atraentes para os envolvidos. As mulheres sempre usam o mesmo chavão: "homem não presta!", mas sempre se apaixonam pelos cafagestes e ignoram os caras bonzinhos que mandam flores. Os homens reclamam que as mulheres só sabem tagarelar e se preocupar com futilidades mas é só uma mulher demonstrar mais maturidade que eles saem correndo com medo que acabe em casamento. De um lado temos a mulher que briga com o marido porque ele esquece do mundo quando senta na frente da TV para assistir o futebol acompanhado de uma cerva bem gelada (e a barriga cada vez maior); do outro lado, o marido que não aguenta esperar a mulher que, depois de ficar horas no cabeleireiro, ainda deixa o pobre esperando no carro para fofocar com a vizinha...Enfim...acho que ambos tem sua parcela de culpa nesses embates. No que me diz respeito, sou totalmente neutro nessa briga, pois cada lado possui defeitos e qualidades. As mulheres historicamente estão em desvantagem nessa guerra. Depois da revolução sexual as mulheres obtiveram algumas conquistas, profissionais e pessoais; contudo, parece que estão inclinadas a repetir o mesmo erro que seus "oponentes" cometeram durante séculos, algo que nunca se deve fazer numa "guerra", que é subestimar o inimigo.